Mostrar mensagens com a etiqueta Vária. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vária. Mostrar todas as mensagens

2008-06-06

Petição Online sobre biblioteca de Arqueologia, arquivos e publicações

Por solicitação de Rui Boaventura, publica-se com todo o gosto a mensagem seguinte, apelando à participação dos leitores deste blogue.


Encontra-se a decorrer uma petição dirigida ao Ministro da Cultura a manifestar grande preocupação para o "destino incerto" que se antevê "para a Biblioteca, Arquivo e Publicações do ex-IPA, hoje IGESPAR, IP" (http://www.PetitionOnline.com/biblipa/).

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2008 (D.R. n.º 94, Série I de 15-05), referente à requalificação e reabilitação da frente ribeirinha da cidade de Lisboa, prevê que na área onde actualmente se localiza a Biblioteca de Arqueologia e o Arquivo se venha a construir o novo Museu Nacional dos Coches, devendo iniciar-se a obra ainda no decorrer do corrente ano, de forma a encontrar-se concluída a tempo das comemorações do primeiro centenário da implantação da República em 2010.
Não estando prevista qualquer solução respeitante às instalações do ex-IPA, a demolir previsivelmente no próximo mês de Setembro, os subscritores do abaixo-assinado vêm manifestar a sua grande apreensão com o futuro da maior biblioteca especializada em património arqueológico do País.
Trata-se de uma biblioteca pública que tem vindo a servir estudantes universitários, professores, investigadores e todos os interessados.

A Biblioteca do ex-IPA resultou da cedência, em 1999, em regime de comodato, pelo Estado Alemão ao Estado Português, aquando da extinção da delegação de Lisboa do Instituto Arqueológico Alemão, mediante protocolo assinado entre os dois Estados em 31 de Maio de 1999.
A partir desse momento, o Estado Português assegurou a sua manutenção em instalações adequadas, tendo a mesma vindo a ser ampliada quer através de aquisições anuais quer com base numa política de publicações próprias, que possibilitou permutas com mais de 300 instituições congéneres e de investigação arqueológica, nacionais e estrangeiras.
Actualmente, esta Biblioteca disponibiliza ao público cerca de 55.000 volumes, entre monografias e publicações periódicas, procuradas por investigadores e arqueólogos portugueses e de outras nacionalidades.
O seu encerramento constituiria assim um rude golpe na formação e investigação científica e patrimonial portuguesa, pelo que é indispensável assegurar não só a sua conservação integral, como garantir a sua reinstalação urgente e condigna, pois de outro modo corre-se o risco de a mesma sair do País por incumprimento das condições da cedência do seu núcleo inicial pelo Estado Alemão.

Até ao final de 2007, a actualização do acervo desta Biblioteca vinha sendo garantida essencialmente pela permuta de dois títulos de edição própria, a "Revista Portuguesa de Arqueologia", de periodicidade semestral, e a série monográfica "Trabalhos de Arqueologia", com uma média anual de quatro volumes.
Durante a última década, estas publicações, cuja qualidade tem vindo a ser reconhecida além-fronteiras, têm desempenhado um papel fundamental na difusão científica da actividade arqueológica nacional.

Acresce a isto a preocupação com o Arquivo do ex-IPA, dotado de um acervo histórico complementar ao da Biblioteca, onde se encontram os relatórios dos trabalhos arqueológicos realizados em Portugal desde o Estado Novo até à actualidade, muitos dos quais nunca foram publicados, pelo que são de extrema importância para qualquer investigação.

Esta petição online conta já com cerca de 900 subscritores, sendo na sua grande maioria arqueólogos e professores universitários. Deve destacar-se também a participação de muitos investigadores estrangeiros de grande renome, alguns deles com projectos científicos respeitantes ao território português.

Rui Boaventura

2008-05-31

Tomar a nuvem por Juno

Diz o Miguel que é preciso não confundir as árvores com a floresta. Concordo plenamente: há árvores e árvores, há até florestas e florestas.

Olhemos para esta.

Por entre a mancha verde das fileiras, aqui e ali duas ou três sequóias gigantes avultam por sobre a demais vegetação, umas ainda viçosas e frondosas, outras de tronco recto e imponente, por fora, mas carcomidas pelo bicho, por dentro: são apenas copa e pouco mais, esqueletos de árvores outrora teluricamente enérgicas mas por onde escorre agora a custo a seiva, xilema e floema ancilosados, atacados que estão por excrescências supérfluas.

Quase todas as espécies deste ecossistema competem pelos mesmos recursos – as que o não fazem rapidamente passam a fertilizante das outras. O terreno onde medrar é escasso e há muita planta que escolhe crescer lá onde o solo foi mais remexido e escavado – afinal, para quê desbravar chão novo se já existe terra trabalhada e adubada cabonde? Poucas são as espécies colonizadoras e muitas as oportunistas, cada uma competindo pela luz, engrossando e alongando caules estéreis e esquecendo-se que o fim último da espécie é a frutificação e a disseminação da semente.

O grosso desta fileira é árvore de folha caduca. Vive onde calhou acertar a semente e só pede ao vento que não a abane muito e aos pardais que não lhe façam o ninho por detrás da orelha. Mais abaixo, as herbáceas clamam pelo abate das árvores de folha caduca enquanto que invejam os arbustos contíguos, que armam ao pingarelho e se dão ares de árvore matura e crescida.

Comensais ou parasitas, há amiúde trepadeiras que recobrem em maior ou menor extensão as árvores mais produtivas, vivendo à custa da luz, da humidade e dos nutrientes que estas lhes proporcionam. Por vezes, à tinta do castanho e à processionária juntam-se os fungos saprófitas e os pulgões, pragas que debilitam e matam o tecido vivo, bicharada que mais não faz do que, vivendo do sistema, tentar matar o sistema por dentro.

Por toda a parte abundam as videiras, planta que com pouco esforço ocupa latadas inteiras mas que aqui, nesta floresta, dá muitas vezes muita parra e pouca uva. Ao longe, nas margens deste biótipo, crescem algumas plantas exógenas e alógenas, indivíduos que fogem à norma vegetal, que não fazem a fotossíntese como mandam os manuais ou que procuram outras soluções para a eterna luta pelos nutrientes – marginalizadas pelo coração da floresta, é neste território que crescem as plantas carnívoras e as orquídeas, é aqui, nas margens, que a Natureza inova e se renova.

É também nesta floresta que algumas árvores de folha perene lobrigam os fogos que devastam a biomassa que as rodeia. Esbracejam e esbracejam, com os raminhos a adejar à brisa incendiária que as rodeia mas, sem ajuda, pouco podem fazer: presas à massa que as rodeia, enleadas no visco lorantáceo que aglutina há décadas umas árvores às outras, nerificam-se perante o fogo que avança, paulatino mas inexorável. São fogos malignos estes, que atacam em várias frentes e consomem há muito esta floresta. Umas vezes em fase de rescaldo, outras em braseiro ardente, não há como os ignorar nem esconder. Fazê-lo é deitar a perder toda biomassa existente, a boa e a má.

Infelizmente, para combater estes fogos só há um remédio: um corta-fogo, quiçá até um contra fogo. Há que unir fileiras e fazer o que há que ser feito, com os que estão e não com os que são mas não estão, sem rodriguinhos e sem ilusões, sob pena de olharmos para a floresta e não vermos senão cinzas e carvão.


Paulo Alexandre Monteiro

2008-05-26

Falam, Falam… e não fazem nada?

Das últimas mensagens trocadas na Archport, retenho uma afirmação que me deixa sempre “pele de galinha”: “reuniões, debates e coisas afins é importante e muito bonito mas não resolve nada”!
Paradoxalmente, a afirmação surge no contexto de animado diálogo num desses espaços de debate que, aparentemente, “não resolve nada”. Mas nem por isso as pessoas se desmotivam de participar. Será só por vontade de “deitar conversa fora”?

Ora, tenho para mim que, a prazo e numa apreciação global, dificilmente deixaremos de constatar o importante papel que a Archport tem e poderá consolidar na transformação e qualificação da Arqueologia portuguesa, quer pelo desenvolvimento de hábitos de diálogo e troca de pontos de vista, quer pela abordagem e generalização de temáticas de interesse geral (profissionais, éticas, deontológicas…), pela crescente exigência de qualidade nas intervenções (dos conteúdos às formas de expressão), ou ainda pelo envolvimento de leitores e participantes que noutros locais dificilmente o seriam.

Mas o pior é que a ideia de que “falar não resolve nada” é ainda associada a todo o tipo de encontros, colóquios, debates e outros eventos, incluindo os mais recentes (curiosamente, talvez até por alguns dos que há meses, na mesma Archport, clamavam por ninguém organizar um “Congresso da Arqueologia Portuguesa”), sem que se perspectivem correctamente os efeitos que os mesmos induzem.
Mas… consegue-se mudar alguma coisa sem diagnosticar primeiro o que há a mudar e reflectir depois sobre como, quando, para quê, para quem, com quem…, entre outras questões que evitem muita “agitação” sem verdadeira alteração?
Por exemplo, sem o ciclo “A Arqueologia em Revista” e outros eventos recentes, estariam “maduras” como hoje estão as condições para realizar bons encontros nacionais sobre a arqueologia municipal e a arqueologia empresarial, como os que se perspectivam para Setembro (http://www.aparqueologos.org/autarquias.php) e Novembro (http://www.congressoarqueologiaempresarial.org/), respectivamente?
E, depois do muito que se disse e escreveu, olhamos hoje como antes olhávamos para as questões da formação e do acesso à profissão, da organização profissional e institucional, da contratualização e da sociabilização do trabalho arqueológico?
Não serviu de nada?

A falar é que a gente se entende! É preciso é que depois saibamos encontrar formas organizadas de transformar ideias em planos de acção.

2008-02-22

A Arqueologia portuguesa no divã

Periodicamente, o meio arqueológico nacional agita-se, preocupa-se, fala de crise… Depois, esquece-se, acomoda-se e aquieta-se, até à próxima “crise”.
Lembram-se?
Foi assim no momento em que explodiu o tema da Arte do Côa, seguramente, o mais interessante e fascinante sobressalto cívico-arqueológico português – foi nos fins da 1994, já lá vão catorze anos, que a coisa saltou para os jornais.
Crise, crise, como é possível???... Como pôde tal coisa acontecer, estarmos em vias de ficar sem o gigantesco vale sagrado com as suas manifestações de arte parietal?
No (ainda) incipiente meio arqueológico nacional – não cabíamos todos num táxi, mas quase – tomava corpo uma nova geração de estudantes de Arqueologia, que teve um papel importantíssimo no processo do Côa. Um processo que foi, ele próprio, um caso de estudo de participação cívica em Portugal – a quem não conhecer, recomenda-se a leitura do livro coordenado por Maria Eduarda Gonçalves, O Caso de Foz Côa: Um Laboratório de Análise Sociopolítica. Lisboa: Edições 70, 2001. Um processo em que a acção persistente e continuada dos arqueólogos, gozando também, diga-se, de uma conjuntura política altamente favorável (o fim de ciclo do chamado cavaquismo, com tudo o que tal implicou), demonstrou a eficácia do protesto sólido, coerente, bem fundamentado e com objectivos claros e bem definidos.
Dois anos depois, em 1996, nascia o IPA, tal como o conhecemos – a este respeito é interessante reler a entrevista dada por João Zilhão, nas páginas do Al-madan, II série, 6, 1997, p. 78-98, acompanhada de comentários vários. E veio o Parque Arqueológico do Vale do Côa (primeiro e único no género, no nosso país), veio a ratificação pelo Parlamento Português da chamada “Convenção de Malta” (com o consequente aumento exponencial da actividade arqueológica de contrato), veio o Instituto Português de Arqueologia, veio a criação da Revista Portuguesa de Arqueologia e o crescimento da série monográfica Trabalhos de Arqueologia (ambas referências fundamentais da afirmação pública da actividade arqueológica), veio o grande programa de minimização de impactes do regolfo da barragem de Alqueva. Em suma, uma época de grande excitação e entusiasmo, actividade febril e grande optimismo, onde a geração dos estudantes que se manifestaram no Côa encontrou o espaço para crescer e se consolidar enquanto verdadeira comunidade profissional, tanto no sector público, como no privado.
Depois veio a crise, não a da Arqueologia, mas a do país. O engordar do défice e o emagrecer do PIB. A instabilidade política.
Depois, nova crise. Falou-se em fusão, em retrocesso ao velho modelo IPPAR – recorde-se, porque nunca será demais dizê-lo, o modelo que possibilitou a quase destruição do património do Côa. Nova agitação e pública indignação contra o Ministro da Cultura.
E a coisa ficou assim.
Depois, voltas e mais voltas, e voltou ao poder o partido que tinha salvo a Arte do Côa e que tinha apresentado o melhor Ministro da Cultura que até hoje existiu em Portugal, embora a má notícia (que sempre acompanha a boa) fosse que o dito ministro não voltaria à ribalta, pelo menos, à da Cultura, nem a sua linha doutrinária vingara no partido a que pertencia.
No domínio do Ensino, nasceu um novo modelo de formação, marcado por um paradigma diferente, o chamado de “Bolonha”. Implicou um redesenho geral dos três ciclos de Ensino Superior em Arqueologia - licenciatura / mestrado / doutoramento, de imensas potencialidades – e a consolidação da noção de que o processo formativo não se esgota neles, antes se afirmando como um processo contínuo, dito de formação ao longo da vida. Começa assim a desenhar-se a possibilidade de fazer crescer a “massa crítica” de arqueólogos com níveis avançados de formação, abrem-se mil possibilidades de concepção e desenho de acções, destinadas a profissionais já formados e em pleno exercício.
Ah!... É verdade. Afinal, o que fora ameaça em tempos passados, consumou-se no presente. Os organismos IPA / IPPAR fundiram-se e, agora já se sabe, afirmado e confirmado, a Biblioteca do IPA encerrará por tempo indeterminado, à espera de novo poiso. As consequências destes e de outros eventos não são necessariamente catastróficas, sequer dramáticas, mas são, seguramente, preocupantes. Não sabemos qual será a capacidade de afirmação e manobra dos responsáveis pela Arqueologia nacional, neste novo quadro institucional; não sabemos por quanto tempo permanecerá inacessível a melhor biblioteca especializada que temos.
Novo sobressalto. De novo a crise, a crise…
E a coisa ficou assim?
Com a devida vénia ao Zeca Afonso, diria que a indignação do arqueólogo é como o amor do estudante… Não dura mais que uma hora.
Por isso, saúda-se a iniciativa de Al-madan de criar esta Arqueologia em Revista – já agora, uma revista (Al-madan) que ao longo destes anos se tem afirmado como um espaço fundamental de notícia, balanço, encontro e debate, podendo rastrear-se nas suas páginas boa parte dos temas aqui aflorados. Pode ser (se assim o quisermos) um confortável fórum de reflexão e debate, com um fôlego e alcance que se não esgote na tradicional pirotecnia de arraial, que tem iluminado os céus em cada nova crise.
Pode ser também o lugar onde finalmente, deitados no divã, com luz velada e quase só entre nós (e o resto do mundo) nos perguntemos porque razão ainda não há um Museu em Foz Côa?... Porque razão ainda não viram a luz do dia as monografias das intervenções no regolfo da barragem de Alqueva?... Porque razão a “classe” dos arqueólogos não se consegue auto-regular, estabelecendo entre si padrões de qualidade mínimos para as intervenções de arqueologia de contrato?... Porque razão a “classe” dos arqueólogos não se consegue auto-regular, garantindo patamares dignos de remuneração aos seus técnicos?... Porque razão a “classe” dos arqueólogos não se consegue auto-regular, denunciando vigorosamente as intervenções desonestas e de inaceitável qualidade?... Porque razão não se consolida o princípio da publicação regular dos resultados das escavações (seja por que meio ou em que suporte)?
Enfim, que este espaço seja a tradicional praça do protesto indignado e de clamor contra a incúria dos outros, mas que seja também o nicho de introspecção dos arqueólogos.

Efeito de perspectiva

Assumo a plenitude das minhas responsabilidades de participação no debate interno da classe, seja de carácter técnico ou deontológico, pelo que não podia senão aceitar de imediato o convite da Al-Madan, que agradeço.
Sabem que retribuirei com uma perspectiva sempre crítica.

Importaria antes de mais deixar claro qual o meu ponto de vista, no sentido literal da expressão — de onde me posiciono no mundo da Arqueologia portuguesa —, para que cada um dos leitores possa perceber essa perspectiva e escolher como e em que sentido “filtrar” as minhas opiniões.

Arrisco: frustradas as ambições familiares para a criança, já mais adulto o meu percurso na Arqueologia fez-se de passagens mais ou menos efémeras — e com resultados muito díspares — por diversas Universidades de Coimbra, Bordéus, Porto, Lisboa e agora Paris.
Este caminho levou-me do Direito, à Arqueologia, à Pré-história.
Sinto que a minha formação estará sempre incompleta e, de facto, no momento em que me convidaram para este evento estava ausente, em formação.

Para explicar o dito “ponto de vista”, importará dizer também que divido a minha actividade profissional por dois campos fundamentais:
- na Arqueologia dita “de investigação”, quer em Portugal, quer mesmo ultimamente de forma muito mais efectiva em França, interesso-me pela Paletnologia, Tecnologia lítica e Geoarqueologia;
- na Arqueologia dita “preventiva / de emergência” sou co-fundador da Dryas Arqueologia que (se resolvermos muitas das nossas incompetências próprias e o ambiente exterior o permitir) talvez um dia chegue a ser muito mais do que uma empresa: um projecto de centro de investigação na área da Arqueologia, Bioantropologia e Património Histórico, cientificamente independente e financeiramente sustentado numa actividade de Arqueologia preventiva / de emergência — tal como foi pensado desde o início.

Publico regularmente, mais no estrangeiro do que em Portugal, e invisto tudo o possível na divulgação científica e sobretudo na participação / organização de actividades de formação para estudantes e jovens arqueólogos.

Pelo meio, passei pela direcção da APA.

Fugazmente: nem os organismos colegiais alguma vez foram ambientes amigáveis para “os da frente”, nem os meus dotes de composição e transigência merecem grande louva.

Resulta disto tudo um “ponto de vista” muito independente.
Não enfileiro em nenhuma das eventuais correntes actuais da Arqueologia portuguesa, não sou aluno de ninguém, nem a ninguém devo o meu emprego, assusta-me o mainstream.
As minhas relações profissionais fazem-se sempre da maior franqueza e espírito crítico.
Ambos me têm valido curtos dissabores e uma enorme paz de espírito.

Depois das derrotas, nunca relembro o pénaltis não assinalados, mas sim aqueles que atirámos para fora; não penso na “dualidade de critérios do árbitro”, mas sim nos quilómetros que não corremos.
Serve isto para dizer que da busca de ver tanto mundo também resulta um olhar muito auto-critico.
Antes de mais sobre mim, depois sobre os meus.
Ora os meus, neste caso, são os arqueólogos.
Por isso, não sou dos que pensam que os problemas da Arqueologia nacional estão… no árbitro, na relva, nas linhas, na iluminação ou na bola (nem, como há alguns anos pude dizer, que os problemas da Universidade estejam nas cantinas, nas salas, nas mesas, no giz ou nas designações das cadeiras…), mas sim nos próprios arqueólogos (ou, naquele exemplo de há alguns anos: nos professores e nos alunos! Mas é apenas um exemplo, aliás, na altura eu era aluno).

Sou português, filho de uma família de juristas, arqueólogo, aprendiz de feiticeiro e também me faltam dentes. Sou o Miguel Almeida, 37 anos, do Porto.
Muito mais vivo que morto.
Contai com isto de mim.