2008-03-09

Arqueologia em Revista no Porto



Cerca de 60 pessoas participaram no conjunto das sessões do segundo debate do ciclo "A Arqueologia em Revista", realizado ontem, dia 8 de Março, no Porto (Palacete dos Viscondes de Balsemão).



A introdução ao primeiro tema, "A Arqueologia e o Poder", esteve a cargo de Paulo Costa Pinto e Lino Tavares Dias. Esteve em evidência o exercício da Arqueologia na administração local.

























No tema 2, "A Arqueologia e os Arqueólogos", as intervenções iniciais foram de Alexandra Cerveira Lima e de Paulo Amaral. No debate, voltaram a estar em foco as condições de instituição de uma Ordem dos Arqueólogos.























Por fim, o tema 3, "A Arqueologia e a Sociedade", foi aberto por António Manuel Silva, Miguel Almeida e Luís Fontes.























A terminar, decorreu a apresentação no Norte do país do N.º 15 da revista Al-Madan.




As fotografias são de Cézer Santos (CAA)

2008-03-06

Porque não começar já hoje ?

O meu comentário ao texto da Maria José Almeida é o seguinte:
Porque não começar já hoje ?
Juntem-se a APA e a AAP e façam o seguinte:
1) revejam a proposta de estatutos da APA para a criação de uma Ordem dos Arqueólogos; fixem uma proposta nesse sentido;
2) contactem / contratem um docente / departamento de sociologia de uma universidade para ser realizado o dito estudo prévio;
3) paralelamente abram um período curto (poucas semanas) para receberem sugestões por parte dos arqueólogos para alterações ao estatuto de Ordem proposto;
4) convoquem um Encontro Nacional de informação e discussão com um painel de oradores de diferentes Ordens já existentes;
5) refaçam a proposta de estatutos com base nas sugestões recebidas e tomem uma primeira iniciativa da sua divulgação junto das direcções do grupos parlamentares;
6) assim que receberem o estudo sociológico, divulguem-no amplamente, juntamente com a proposta de estatutos da Ordem, pelas seguintes vias:
a. dá-lo a conhecer a um ou dois jornalistas seleccionados, em regime de exclusividade
b. conferência de imprensa aberta
c. anúncios pagos, de página inteira, em dois ou três jornais;
7) peçam nesta altura novas audiências, formais, aos grupos parlamentares e ao governo
8) passado algum tempo, se nada acontecer, insistam através de:
a. repetição de todos ou alguns dos procedimentos anteriores
b. edição de autocolantes e tarjetas, mobilizando alguns de nós para as distribuirmos à porta do Parlamento e em locais de grande afluência pública
c. distribuição das nossas tarjetas às outras Ordens, pedindo a sua divulgação
d. pedido aos arqueólogos para que, pessoalmente, enviem estas tarjetas para jornais e deputados por si escolhidos
e. pedido aos arqueólogos para que passem a incluir na sua correspondência profissional um autocolante de apelo à constituição de Ordem
9) No entretanto, durante todo este processo, a APA e a AAP devem constituir um secretariado permanente que poderá desembocar numa comissão Pró-Ordem eleita em plenário conjunto das suas respectivas Assembleias Gerais.

Eis um caminho. Basta iniciá-lo.

2008-03-05

Arqueologia e Poder (Lisboa)

Como certamente já repararam, surgiram alguns problemas com a edição dos vídeos do debate de Lisboa.

Presumindo que a ultrapassagem do problema ainda levará algum tempo, divulgam-se desde já os gráficos e outra informação apresentada por Jacinta Bugalhão na introdução ao tema 1, "A Arqueologia e o Poder".

Estas imagens pretendem ilustrar a sua perspectiva sobre as transformações ocorridas durante o período de funcionamento do IPA e que, na sua opinião, são no essencial consequência directa da sua acção.



Tipos de trabalhos arqueológicos


Tipo de financiamento de trabalhos arqueológicos e número de relatórios apresentados








Número de arqueólogos activos













Atribuições a cometer à administração pública























Um ponto de Ordem a propósito da lei 6/2008

A pedido de várias famílias, e porque muito se tem falado sobre a criação de uma Ordem de Arqueólogos e é recente a publicação de legislação sobre o assunto, deixo aqui algumas notas da minha leitura desse documento. Leitura de arqueóloga, é importante que se diga, que a leitura de jurista pode bem revelar matizes que a mim (a nós?) escapam por completo...

A partir de 13 de Fevereiro, a designação “Ordem” está reservada a associações públicas profissionais que correspondam a “profissões cujo exercício é condicionado à obtenção prévia de uma habilitação académica de licenciatura ou superior”.

E o que é (e não é) uma “Ordem”?

É uma “entidade pública de estrutura associativa representativa de uma profissão que deve, cumulativamente, ser sujeita ao controle do respectivo acesso e exercício, à elaboração de normas técnicas e deontológicas específicas e a um regime disciplinar autónomo.”

Nesta definição ficam desde logo estabelecidas as atribuições deste tipo de associação, ou seja, a sua acção é fundamentalmente na esfera da auto-regulação (acesso e exercício), da deontologia (e respectivo regime disciplinar) da “prossecução de fins de interesse público relacionados com a profissão”.

Mas também se diz aquilo que uma “Ordem” não pode fazer, nomeadamente “exercer ou participar em actividades de natureza sindical ou que tenham a ver com a regulação das relações económicas ou profissionais dos seus membros”, “estabelecer restrições à liberdade da profissão, nem infringir as regras da concorrência na prestação de serviços profissionais”, ou definir “numerus clausus no acesso à profissão, nem acreditação de cursos oficialmente reconhecidos”.

E como se constitui uma “Ordem”?

“As associações públicas profissionais são criadas por lei, ouvidas as associações representativas da profissão”. Para saber como é que se faz uma lei, nada como uma visita virtual à Assembleia da República.

Para os mais preguiçosos resumo: se não se convence um deputado / grupo parlamentar ou o governo a fazer um projecto-lei ou uma proposta de lei (respectivamente), por iniciativa dos cidadãos eleitores terá que haver um mínimo de 35.000 assinaturas.

A constituição de uma “Ordem” é “excepcional e visa a satisfação de necessidades específicas [...] quando a regulação da profissão envolver um interesse público de especial relevo que o Estado não deva prosseguir por si próprio.” Uma “Ordem” nova (?!) será “sempre precedida de um estudo elaborado por entidade de reconhecida independência e mérito sobre a sua necessidade em termos de realização do interesse público e sobre o seu impacte sobre a regulação da profissão em causa”.

Embora uma “Ordem” não esteja “sujeita a superintendência governamental”, a lei de criação “estabelece qual o membro do Governo que exerce os poderes de tutela sobre cada associação pública profissional”.

A “olho de arqueóloga”, parece-me ser isto o essencial da nova legislação.
Para já, aqui fica sem comentários meus (nem da presidente da APA), à espera dos vossos.

2008-03-04

Ter esperança é antes de tudo confiarmos em nós próprios

O resumo que o José Arnaud faz da sessão que decorreu no MNA corresponde totalmente eu que eu também senti: existem realmente motivos de esperança.
Os números aí apresentados inicialmente pela Jacinta Bugalhão deveriam ser do conhecimento de todos e informar também os debates a fazer nas outras cidades do País nos próximos dias. Seria talvez útil que o Jorge Raposo pedisse autorização para os citar e incluir neste blogue.
Em 15 anos a actividade arqueológica transformou-se radicalmente no nosso País. Contrariamente à Jacinta, e como disse no debate, não penso que tal se tenha ficado a dever principalmente à existência do IPA, mas sim a uma conjugação de factores, muito auspiciosa:
a) No plano internacional e de fundo, ter finalmente chegado a Portugal, com todas as suas consequências, a legislação europeia sobre impactes ambientais;
b) No plano nacional,
b1) ter havido a batalha do Côa e tudo o que ela trouxe de visibilidade acrescida da arqueologia e dos arqueólogos;
b2) termos então estado em plena época de vencimento das políticas do diálogo, sensíveis aos movimentos de opinião pública (guterrismo), por oposição à época precedente, de forte autoritarismo (cavaquismo).
Se não houve o movimento de fundo europeu a que aludi e se fosse hoje (socratismo), duvido que tal salto tivesse sido dado.
Porém, não quero de modo nenhum diminuir o papel do IPA, que esteve, e muito bem, à altura dos acontecimentos e deixa para a história um balanço global positivo, especialmente na área do acompanhamento e fiscalização de tudo o que tem a ver com impactes ambientais e, em geral, com a intervenção no território. De resto, o maior êxito do IPA, na minha avaliação, está precisamente em ter facilitado que se tivesse desenvolvido um quadro profissional e social da arqueologia que o transcende e tem condições de continuar a existir, mesmo sem IPA ou até mesmo sem grande peso da arqueologia dentro do Ministério da Cultura em geral (podendo até conceber-se o dia em que as funções de fiscalização de impactes ambientais em arqueologia possam ser garantidas por organismos na área do Ambiente).
Retomo aqui uma velha afirmação minha: quanto mais a arqueologia (como ciência e como actividade profissional) se libertar da Cultura, melhor.
Ora, é esse o salto que temos estado a dar, sem talvez nos apercebermos: hoje a grande maioria dos arqueólogos portugueses trabalha já sem subsídios da Cultura. Não é, pois, subsidio-dependente. E só espera que o Estado (podendo este ser a Cultura ou qualquer outro departamento) cumpra as funções de fiscalização e exigência legal que lhe cabem, em nome da sociedade.
Chegados aqui, havendo cerca de 700 arqueólogos (quer dizer, pessoas autorizadas a dirigir trabalhos arqueológicos de campo) ou talvez mais (se, como é justo, dermos um entendimento maior ao que é a arqueologia, incluindo nela trabalhos de gabinete, de divulgação científica e patrimonial, etc.), pode dizer-se que existe de facto uma classe profissional autónoma. Repito-me novamente em relação a outros escritos: Onde antes havia notáveis, existe hoje gente.
A forma como se organiza o Estado em ordem a prosseguir as políticas que os eleitores escolhem é importante, mas é hoje menos para os arqueólogos do que era no passado, quanto tudo gravitava obsessiva e até doentiamente em volta de um pequeno sector desse estado: a Cultura.
Não é caso para se dizer aos governantes, especialmente aos da Cultura, “arranjem-se como quiserem e deixem-nos em paz”. Mas é caso para pensarmos que já possuímos a maturidade e o poder suficiente para sermos uma verdadeira classe profissional e intervirmos em conformidade, tendo o Estado e dentro dele a Cultura apenas como um dos nossos interlocutores.
Aquilo que precisamos é fazermos com que a nossa realidade de classe profissional tenha a devida tradução social. Actualmente existe um desfasamento gritante entre essa realidade e as modalidades da sua expressão social organizada. È isso que urge corrigir.
A via que propus passa por:
a) criação a curto prazo da Ordem dos Arqueólogos, por iniciativa conjunta da Associação dos Arqueólogos Portugueses e da Associação Profissional dos Arqueólogos. Para aqueles que dizem que não temos ainda maturidade suficiente, que somos poucos, etc. direi que o “caminho se faz caminhando”, que chega de nos auto flagelarmos com críticas porventura bem intencionadas mas paralisantes, que os biólogos eram cerca de 250 quando criaram Ordem dos Biólogos, etc., etc.;
b) constituição de plataformas permanentes de intervenção entre as diferentes associações representativas de profissionais da área do património cultural; eu, pelo meu lado, espero poder dar a curto prazo passos consequentes neste sentido;
c) exigência, junto do Governo, da Assembleia da República e dos Partidos Políticos, de instrumentos credíveis e representativos de consulta obrigatória do movimento associativo, profissional e cívico, em ordem á definição de políticas patrimoniais, incluindo a questão da forma de organização do aparelho de Estado nesta área.
Estou optimista. Da velha consigna trotskista e tendencialmente golpista segundo a qual “o movimento cria a estrutura” retenho a leitura marxista da mesma, ou seja, a de que é preciso primeiro que as condições objectivas existam, para que depois sejam criadas as condições subjectivas que permitam dar um qualquer salto organizativo. Com quase 1 milhar de arqueólogos que na sua grande maioria já não dependem dos subsídios da Cultura, nem do Governo no seu todo, nada impedirá que ambicionemos ser uma verdadeira profissão, tão independente e tão estimável socialmente como qualquer outra, reconhecida através da sua Ordem.
Luís Raposo

Sinais de esperança

Não resisto em divulgar aqui, com a devida vénia, a mensagem (de esperança...) colocada pelo JOSÉ ARNAUD no ARCHPORT. No entanto, enquanto não participante no encontro de Lisboa, gostaria de ter acesso a comentários ou impressões, ainda que menos emotivas, sobre as respectivas intervenções e debates.

ACS

Caros Amigos e Colegas:
A recente realização no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa do 1º encontro promovido pelo Centro de Arqueologia de Almada para assinalar os seus 25 anos de existência e o lançamento do 15º volume da sua utilíssima revista Almadan – Arqueologia em Revista , no qual estiveram presentes, ao longo de todo o dia, mais de uma centena de arqueólogos e estudantes de arqueologia, defendendo de um modo civilizado e democrático as mais diversas correntes e perspectivas, permite-me encarar com um pouco mais de optimismo o futuro da actividade arqueológica em Portugal, apesar de o país atravessar uma das suas mais graves crises sociais e institucionais desde a restauração do regime democrático.
A própria organização desse encontro por uma entidade particular, fundada por um grupo de estudantes, que conseguiu sobreviver e desenvolver uma actividade notável, no âmbito da divulgação e da promoção da actividade arqueológica e da valorização do património, ao longo de um quarto de século, conseguindo uma lenta mas sólida e gradual afirmação no restrito meio arqueológico português, é um exemplo para todos nós. É também um notável exemplo do que é possível realizar, mesmo neste país, com a competência, a dedicação e o sacrifício pessoal de um pequeno grupo de pessoas, desde que surja alguém com a capacidade e a vontade de as motivar em prol do bem comum, sem autoritarismo nem culto da personalidade.
O Jorge Raposo e a sua equipa são pessoas que não precisam, nem gostam, de elogios. O seu trabalho está bem à vista de todos, pelo que a melhor homenagem que se lhes pode prestar é corresponder “de alma e coração” às suas iniciativas, neste ano de grande júbilo para o Centro de Arqueologia de Almada e para a Almadan, participando nos encontros que se vão seguir, no Porto, em Faro, em Beja e finalmente em Conímbriga, inscrevendo-nos como membros do Centro, e colaborando nos próximos números da Almadan.
O Centro e a Almadan são o exemplo vivo da importância da chamada “sociedade civil”, num país em que o Estado democrático o é cada vez menos, e os políticos do Centrão, em nome da “social democracia” e do “socialismo”, se procuram descartar gradualmente das suas responsabilidades para com os seus cidadãos eleitores e os contribuintes, desbaratando os recursos comunitários, investindo no betão, em detrimento das pessoas, e esbulhando os impostos sacados com cada vez com maior eficácia aos assalariados e pequenos empresários, enquanto o país real se vai afundando e a banca vai “enriquecendo” de uma forma ilegítima, numa escandalosa e tentacular promiscuidade com o poder!
Longa vida para o Centro de Arqueologia de Almada e para os seus obreiros !
José Morais Arnaud
3/3/2008

2008-03-02

Começou bem

Mesmo com o Museu Nacional de Arqueologia "sitiado" pela comemoração do Dia Nacional da Protecção Civil, o que dificultou bastante o acesso e provocou algum atraso inicial, pode dizer-se que começou bastante bem o primeiro debate do ciclo "A Arqueologia em Revista".







Cerca de 80 pessoas, no conjunto das sessões da manhã e da tarde, assistiram e participaram numa troca de pontos de vista viva e diversificada, que percorreu transversalmente as temáticas propostas, dada a sua evidente interligação.




O primeiro painel, que introduziu a discussão do tema a "Arqueologia e Poder", foi constituído por Jacinta Bugalhão e António Carlos Valera.


































No segundo painel, José Morais Arnaud e Carlos Fabião fizeram a introdução ao tema "A Arqueologia e os Arqueólogos".





























Finalmente, no terceiro tema, "A Arqueologia e a Sociedade", as intervenções iniciais estiveram a cargo de Mário Varela Gomes e Luís Raposo.

























A encerrar o programa, decorreu a primeira apresentação pública do N.º 15 da revista Al-Madan, bastante bem acolhida pela generalidade dos presentes.












As fotografias são de Cézer Santos (CAA)